Novidade revoluciona cirurgia de catarata
Primeiro laser aprovado pela Anvisa chega à Baixada Santista

    Considerada um dos grandes avanços da Oftalmologia, a nova cirurgia de catarata, presente em 56 países, já está disponível na Baixada Santista. O Hospital Oftalmológico Visão Laser, em Santos, é um dos primeiros centros médicos brasileiros a adotar o primeiro laser aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para cirurgia de catarata.

    Apresentando oficialmente nos XXX Congresso Pan-Americano de Oftalmologia e XXXVII Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizados em agosto, no Rio Janeiro, o laser revoluciona o tratamento da catarata e cria uma nova modalidade cirúrgica, que alia as técnicas da cirurgia de catarata tradicional às modernas técnicas refrativas. A catarata-refrativa, como vem sendo chamada essa fusão, possibilita ao paciente reduzir a dependência de óculos corretivos, que são usados após a cirurgia de catarata.

O laser de femtosegundo permite ao médico automatizar etapas do procedimento cirúrgico que até então eram realizadas manualmente com bisturi. Além disso, a tecnologia possibilita posicionar com precisão a lente intraocular implantada, reduzindo erros refracionais (como miopia, astigmatismo e presbiopia - também chamada vista cansada) e melhorando a acuidade visual do paciente.

Outros benefícios são a rápida recuperação - entre 24 e 48 horas - e o menor risco de problemas oculares a longo prazo. “Trata-se de tecnologia de ponta já utilizada em mais de 80 mil procedimentos, promovendo, além da acuidade visual, qualidade de vida à população, especialmente à Terceira Idade, faixa mais acometida pela catarata”, destaca Marcello Colombo Barboza, professor doutor em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo e diretor do Hospital Oftalmológico Visão Laser, em Santos.

Automatização


A catarata-refrativa é quase toda automatizada, inclusive as etapas mais difíceis, como incisões e quebra do cristalino para substituição por lente intraocular, o que, até então, eram realizadas manualmente com bisturi. Na cirurgia padrão realizada hoje denominada facoemulsificação, algumas etapas do procedimento, como a incisão, a capsulotomia (remoção de parte da cápsula do cristalino que envolve o olho) e a fragmentação da catarata, são feitas manualmente pelo especialista.

O novo procedimento a laser funciona por meio de tomografia de coerência óptica (OCT) com luz infravermelha próxima, para produzir análise digital e em tempo real, juntamente com a aplicação do laser de femtosegundo orientada por computador.

Com isso, todas as estruturas oculares são continuamente apresentadas com precisão em três dimensões (3D), permitindo a colocação espacial exata dentro do olho para uma aplicação precisa.

Resultados


Segundo pesquisas da Universidade de Oregon, o novo método é mais eficiente na manutenção das células endoteliais fundamentais para a clareza da córnea, além de permitir incisões mais precisas e melhor capsulotomia, para a implantação da lente intraocular que substitui o cristalino comprometido.

Outro estudo, do Bascom Palmer Eye Institute, da Universidade de Miami, com 29 pacientes, aponta que a cirurgia a laser reduziu em 45% tanto o uso de energia ultrassônica quanto a manipulação cirúrgica, apresentando-se mais segura e rápida do que o procedimento padrão.

Outra vantagem do laser é a possibilidade de corrigir graus de astigmatismo durante a cirurgia de catarata, acertando a curvatura da córnea e possibilitando o implante de lentes que garantem a independência de óculos para longe e perto.

“No mesmo procedimento, resolve-se a catarata e corrigem-se erros refracionais, possibilitando uma melhor visão de longe, perto e à meia distância e mais facilidade nas tarefas do cotidiano, como leitura, uso do computador, prática de esportes e condução de veículos, entre outras”, explica o especialista.

Apesar de bastante divulgada, a catarata (opacidade parcial ou total do cristalino - a lente natural do olho) ainda é a principal causa de cegueira no mundo (responsável por 51% dos casos) e acomete 45 milhões de pessoas, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Prejudica muito o dia a dia do paciente, ao tornar sua visão nublada, alterar o grau de longe e de perto e a visão em ambientes com baixa luminosidade.

Só no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, existem cerca de 600 mil cegos por catarata, com uma incidência de 120 mil novos casos por ano. Os pacientes demoram a procurar um médico, por falta de acesso e informação, e por desconhecerem todas as opções de tratamento.

Evolução


A catarata é facilmente eliminada com procedimento cirúrgico que vem evoluindo progressivamente. Em 1950, as incisões para a retirada da catarata chegavam a 14 milímetros e a recuperação levava muito tempo. Hoje, com a facoemulsificação, as incisões giram em torno de 1.8 mm a 2.2mm. Pelo grau de detalhamento promovido pelo laser, os resultados ficaram ainda melhores.

“Toda nova tecnologia deve ser manipulada por profissionais treinados e preparados para o seu uso, sempre respeitando a melhor indicação para cada paciente”, ressalta Marcello.